Como minha pretensão aqui é tentar fazer uma auto terapia, vou jogando minhas lembranças de todas as fases da minha vida, sem medo de ser feliz.
Sei que não vou conseguir ser cronológica, nem tentarei. Mas por incrível coincidência meu primeiro post será sobre uma lembrança que me ocorreu da minha infância.
Não sei precisar exatamente a idade, provavelmente 3 ou 4 anos. Lembro que meu irmão já estava no colégio, meu pai e mãe trabalhavam e meu avô, por parte de mãe, vinha todas os dias da semana ficar conosco para cuidar de nós. Era sua incumbência, levar e buscar meu irmão da escola. Acho que na primeira semana, ou por alguns dias, ele me levava junto na sua tarefa diária. Mas lembro que fazíamos isso a pé, o colégio não era perto de casa e tinha uma rua de terra vermelha que passava ônibus lá de vez em quando e quando o mesmo passava levantava um pó! Além de ser super perigoso fazer isso com uma criança a pé e outra no colo e também ser cansativo, por causa da distância, perigo e tudo mais. Decidiu meu avô não me levar mais nessa aventura. Só que sua alternativa, hoje vejo, não me foi muito favorável e passei a ficar tardes e mais tardes durante sei lá quanto tempo sozinha.
Por cansaço ou preguiça, ele ia levar meu irmão e só voltava já no horário de trazê-lo de volta.
Eu por ser muito pequena, não me queixei ou sei lá, porque não lembro mesmo. Só sei que um dia tive um sonho que não havia mais ninguém dentro de casa, nem móveis, nada. E eu fui me sentar na porta da casa e fiquei esperando por alguém, como fazia diariamente. Acordei e contei pra minha mãe, foi quando ela ficou sabendo que eu passava as tardes só. Meu vô deixou de nos cuidar, acho que meio se desentenderam ele e minha mãe.
Como solução, minha mãe convidou a tia vó do meu pai para morar conosco, tirou meu irmão do colégio aquele ano, porque não havia quem pudesse levá-lo, realmente era bem complicado. E passamos a ser cuidados com mais zelo, apesar dela ter uma certa idade e ter um pouco de dificuldade para caminhar, pois já havia quebrado a bacia.
Meu vô voltou naquela mesma época para nos visitar e trouxe um iogurte pra mim de presente e uma bola de futebol e chocolate ou salgadinho pro meu irmão. Lembro que fiquei triste, entrei pra dentro da casa, enquanto eles brincavam no pátio. E ali percebi que ele não me curtia muito, rejeitei o iogurte que ele havia trazido pra mim, ele nem deu bola, acho até que comeu. E eu passei a rejeitar tudo que ele trazia e nunca nos aproximamos muito.
O engraçado nisso é que nunca tive medo de ficar só, até gosto dos meus momentos comigo. Pra mim o difícil muitas vezes é estar com muitas pessoas ao mesmo tempo, amigos ou não.
Porém ultimamente tenho estado muito só e tem me deixado aflita a necessidade de falar com alguém.
Voltei a passar meus dias sozinha e tenho trocado a noite pelo dia, pra não ficar amargando solidão. Apesar de quando meu marido chega em casa, não conseguimos conversar também, por que divergimos muito as nossas opiniões.
De alguma forma, estou de volta ao começo.
Preciso refletir muito sobre isso!

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